domingo, 15 de setembro de 2013

A revolução dos cocos - uma Ecorevolução

   Assisti ao excelente documentário The Coconut Revolution (A revolução dos cocos), que aborda os desdobramentos da Guerra Civil de Bougainville - também chamada de Revolução dos Cocos. Bougainville é uma ilha  coberta por florestas úmidas, localizada no Oceano Pacífico - a maior do Arquipélago "Ilhas Salomão" - e faz parte de Papua Nova Guiné.


De 1989 a 1997, Bougainville foi palco de uma sangrenta guerra civil, que teve início porque a população se manifestou contra a exploração de uma imensa mina de cobre (a maior em céu aberto do mundo) pela mineradora britânica Rio Tinto Zinc. A mineração provocou a devastação de enorme área florestal, deslocou a população para uma vila desprovida de infraestrutura básica (os próprios moradores tiveram que construir uma escola) e a poluição do Rio Jaba, contaminado com cobre, mercúrio, chumbo e arsênico - resíduos da mina; todo esse impacto sócio-ambiental sem oferecer compensação aos habitantes locais.

Imagem da mina de cobre em Bougainville

      Houve diversos enfrentamentos entre guerrilheiros locais e o exército de Papua Nova Guiné, deixando um saldo de cerca de 15.000 mortos. A principal reivindicação era a independência de Bougainville. Foi imposto um embargo total à Ilha, durante os anos de guerra civil, para que se enfraquecesse e desistisse da luta.  

Coco - a salvação de Bougainville
    Essa é a parte mais interessante da história. Em vez do enfraquecimento esperado pelo governo de Papua Nova Guiné, os bougainvilleanos buscaram soluções alternativas na natureza local. O documentário mostra como eles produziram uma agricultura independente, energia elétrica a partir da água e combustível através do coco - daí vem o nome "Revolução dos Cocos". Peça chave nas estratégias de sobrevivência elaboradas pelos nativos (como bebida, medicamento, acessório para cozinhar e limpar armas), o coco foi utilizado também como fonte para movimentar os veículos, por meio de um processo que o transforma em óleo combustível. O mais animador nessas iniciativas é que são limpas do ponto de vista ecológico. A necessidade obrigou a população a usar sua inventividade para sobreviver, a partir do que o ambiente local oferecia. E as alternativas encontradas basearam-se em tecnologias suaves, de interação responsável com o meio. É muito importante a fala de um dos líderes locais, mais ou menos assim: "nós agradecemos o embargo, porque levou ao nosso desenvolvimento". Esse episódio, guardadas as devidas proporções, e sem endeusar ingenuamente os revolucionários bougainvilleanos, nos mostra que um outro tipo de desenvolvimento é possível. No mínimo, serve para pensarmos no potencial de uma cultura que utilizasse com mais cuidado e responsabilidade os elementos naturais. A vida além do capitalismo... é possível...

Abaixo o documentário. Vale muito a pena assistir, inclusive como recurso de educação ambiental em sala de aula.




Observação: Bougainville ainda não se tornou independente de Papua Nova Guiné. Em consequência da guerra civil, conseguiu pelo menos autonomia política. 


2 comentários:

  1. Pela história eu sempre imaginei que quando os colonizadores chegavam, sempre eram os nativos que saiam perdendo. Mas depois deste documentário surpreendente, percebi como a união, inteligência e força de um povo pode criar um caminho completamente oposto do que aprendemos. Excelente artigo!

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