sábado, 25 de outubro de 2014

O absurdo do Canal da Nicarágua

O Canal da Nicarágua é a proposta de construção de uma via fluvial que ligaria o Mar do Caribe, do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, através da Nicarágua, na América Central. Este canal iria por rio até o Lago Cocibolca (Lago Nicarágua), e atravessaria o istmo de Rivas para chegar ao Pacífico. O Canal cobriria uma área de 278 quilômetros quadrados. 


Nesse mapa, o lago maior é o Lago Cocibolca.


O governo nicaraguense entregou, em junho de 2013, concessão para uma empresa chinesa construir o canal, a Hong Kong Nicarágua Development Corporation (HKND). Além dos evidentes interesses econômicos da China, parceira comercial de vários países na América Latina, convém questionar se esse novo canal é necessário, muito próximo ao já existente Canal do Panamá. 

Alguns dados sobre o Canal da Nicarágua, em comparação com os do Panamá e de Suez.
 O da Nicarágua seria o maior deles.

Alguns analistas acreditam que a China está muito interessada no aumento de fornecimento de petróleo da Venezuela, e pretende transportá-lo em enormes navios petroleiros. No já existente Canal do Panamá passam os petroleiros com capacidade de carga de até 80 mil toneladas, enquanto o Canal da Nicarágua permitiria o tráfego de petroleiros com capacidade para até 330 mil toneladas.
Evidentemente, o impacto ambiental dessa empreitada será imenso. Entre os projetos de desenvolvimento estão incluídos a construção de um lago artificial de 400 km2, diversos complexos turísticos, fábricas de materiais de construção e centenas de quilômetros de estradas pavimentadas por meio da selva inacessível.

Rotas de estradas previstas para o Canal

Esses projetos passarão por sete áreas protegidas de reservas e refúgios silvestres, habitadas por espécies vulneráveis e em perigo de extinção. 


Algumas espécies ameaçadas pela construção do canal. Fonte: Nature Journal.

A qualidade da água e sua distribuição também podem ser comprometidas. Especialmente na região do Lago Nicarágua, haveria comprometimento para a pesca, o abastecimento de água potável e a irrigação da agricultura. 

Lago Cacibolca ou Nicarágua. Fonte: Nature Journal 

Preocupada com essa diversidade de impactos, a Association for Tropical Biology & Conservation, a maior organização mundial dedicada ao estudo, proteção e  uso sustentável dos ecossistemas tropicais, emitiu mensagem refutando o projeto do novo Canal e pedindo ao governo sua suspensão. Confira abaixo a mensagem, em espanhol:



A prestigiada revista Nature também publicou matéria sobre o assunto:

Mesmo que esse Canal não afete diretamente os brasileiros e sulamericanos, acarretará uma série de impactos sociais e ambientais graves na Nicarágua e na América Central. Ele representa mais uma investida do grande capital em sua desenfreada busca por maiores lucros. Nessa corrida alucinada, valem muito pouco - ou nada - a biodiversidade, a cultura humana e os ecossistemas locais. E esse tipo de atitude promovida pelo capitalismo, como sabemos, já aconteceu e acontece em outros países ao longo da história.  

Dada a gravidade do assunto, sinta-se à vontade para compartilhar este post entre suas redes, para que mais pessoas tenham conhecimento e ferramentas para o debate. Afinal, de nada valem a ciência e a história se elas não contribuírem para melhorar a vida das pessoas, e para que elas adquiram compreensão sobre seu lugar e seu papel no mundo.

Para ler mais sobre o assunto, consulte:



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