quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

José Lutzenberger: há trinta anos, o Nobel da Ecologia

Por Elenita Malta

Em dezembro de 1988, o engenheiro agrônomo e ambientalista porto-alegrense José Lutzenberger (1926-2002) foi laureado com o The Right Livelihood Award, conhecido como Prêmio Nobel Alternativo. Ele foi o primeiro brasileiro a receber esse importante prêmio, por contribuir para a proteção do ambiente natural no Brasil e no mundo.
Lutzenberger em evento na Alemanha (1989).


Lutzenberger, que desistiu de um emprego bem remunerado na BASF para defender a natureza, iniciou seu ativismo em 1971, com a fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), em Porto Alegre. Suas lutas fizeram com que se projetasse internacionalmente, em especial o engajamento por uma agricultura sustentável e a defesa da floresta amazônica.


Nos anos 1980, Lutzenberger participou de filmes que denunciavam as queimadas e desmatamento na Amazônia - em especial a série "A década da destruição", de Adrian Cowell e Vicente Rios -, e deu muitas palestras sobre o tema na Europa. Sua atuação fez com que entidades ambientalistas o indicassem ao prêmio. 

Em seu discurso de aceitação, Lutzenberger denunciou a perda da diversidade biológica nas florestas tropicais e o reducionismo com que as questões do ambiente são tratadas pelos que detém poder de decisão, sem levar em conta a interdependência entre as espécies, um conceito básico da Ecologia. Defendeu que “uma civilização saudável e sustentável só pode ser aquela que se harmoniza e integra na totalidade da Vida, reforçando-a e não a demolindo”.

Lutz recebendo o prêmio. 

No momento atual, em que o Brasil pode sair do Acordo de Paris, não cumprindo compromissos assumidos em 2015, no combate às mudanças climáticas, as palavras de Lutzenberger, mesmo passados trinta anos, ainda fazem sentido. Em 1988, já havia indícios da magnitude do aquecimento global e ele acreditava que talvez os perigos iminentes fizessem com que os governos agissem para freá-lo. 

O ambientalista concluiu seu discurso com as seguintes palavras, que vale a pena lembrar: “Não poderemos remediar as consequências desagradáveis, mas ainda assim poderemos impedir a continuidade da devastação. Nós sempre podemos aprender com nossos erros. Mas temos o direito de arriscar erros que tenham resultados inaceitáveis ​​e irreversíveis?”

Assista a um vídeo (convertido de gravação VHS) com imagens do recebimento do prêmio no Canal do Youtube "Lutz Global":


O Canal faz parte dos trabalhos do projeto "José Lutzenberger: Um mediador entre o ambientalismo brasileiro e global (Déc. 1980-1990)", em desenvolvimento com o apoio do CNPq.
Inscreva-se no Canal Lutz Global para receber as atualizações de vídeos que vamos postar AQUI

4 comentários:

  1. Sem dúvida nenhuma, que o conheceu de perto e seus pensamentos, seus ensinamentos, dele não esquecera jamais.O professor J.A. Luztenberger
    sempre fará falta!

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  2. Grande Lutz...nosso cantinho aki na Bahia tem uma honenagem a ele..um pedaço de mata na frente do mar q os vizinhos querem derrubar pra verem melhor o mar...!..acham q passarinho faz ninho na grama!
    Venham ver a gente!! www.airbnb.com.br/rooms/791852

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  3. Ficou o seu legado para as presentes e futuras gerações!

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